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Archive for Março, 2010

Estão abertas as inscrições para a época de Maio dos exames CAPLE. Os interessados poderão inscrever-se no nosso Centro todos os dias úteis das 10 às 14h, até ao próximo dia 16 de Abril. Terão de fazer-se acompanhar de Bilhete de Identidade e proceder ao pagamento no acto de inscrição. Deixo-vos em pdf um documento com as propinas e outro com as datas e componentes de cada nível. Para mais informações, consultem a página do CAPLE ou entrem em contacto com o nosso Centro de Exames.

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No próximo dia 21 de Março comemora-se o Dia Mundial da Poesia. Aproveito a ocasião para vos dar a conhecer Mário Cesariny (1923/2006), considerado o expoente máximo do surrelismo em Portugal. O trecho do poema “Há uma hora, há uma hora certa” é lido pelo próprio, e a música é da autoria d’ Os Poetas, dos quais faz parte Rodrigo Leão.

Apesar do poema ser bastante mais extenso, deixo-vos somente a parte que é lida no vídeo.

Há uma hora, há uma hora certa

Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
Há uma hora desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa a sair para o meio da rua
Saímos? mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente-gente, olhos, narinas, bocas,
gente feliz gente infeliz, um banqueiro, alfaiates telefonistas,
varinas, caixeiros desempregados,
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos
mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico em marcha,
gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua.

Mário Cesariny

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Arte Portuguesa

Está patente até ao próximo dia 18 de Maio a exposição antológica Sem Rede, de Joana Vasconcelos, no Museu Berardo em Lisboa. E por isso mesmo pareceu-me adequado dar-vos a conhecer uma artista plástica portuguesa, com reconhecimento internacional. A título de exemplo, dois dos três Sapatos Cinderela (foto) foram leiloados pela Christie’s por 500 mil euros.

Na verdade, em 15 anos, Joana Vasconcelos fez da sua arte uma verdadeira imagem de marca. Quem não reconhece estes gigantescos sapatos feitos de tachos, número 16, utilizados para fazer o arroz em Portugal, que representa a dualiadade entre a modernidade feminina (tacões) e a tradição (cozinha). São também sobejamente conhecidos os corações radiantes de talheres de plástico, os cães de louça ou as faianças de Bordalo revestidas a crochet.

Deixo-vos ainda uma hiperligação para a entrevista feita pela RTP, onde também está presente Joe Berardo e ainda a sua página de internet onde podem encontrar todos os seus trabalhos. Espero que gostem!

Joana Vasconcelos e Joe Berardo

Página pessoal Joana Vasconcelos

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ANUNCIAÇÃO            

  

Surdo murmúrio do rio,           

a deslizar, pausado, na planura.            

Mensageiro moroso           

dum recado comprido,            

di-lo sem pressa ao alarmado ouvido            

dos salgueirais:            

a neve derreteu           

nos píncaros da serra;           

o gado berra           

dentro dos currais,          

a lembrar aos zagais            

o fim do cativeiro;            

anda no ar um perfumado cheiro            

a terra revolvida;           

o vento emudeceu;           

o sol desceu;            

a primavera vai chegar, florida.            

Miguel Torga                 

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Comemorou-se no passado dia 4 de Março o nascimento do Infante D. Henrique. Filho do rei D. João I e de D. Filipa de Lencastre, o infante D. Henrique nasceu na cidade do Porto em 1394, numa quarta-feira de cinzas, vindo a falecer em 1460 em Sagres.

Apesar de não ter nunca sulcado as ondas do Oceano, senão para as suas expedições de conquista africana, teve o cognome de Navegador, e na verdade bem merecido, porque a ele se deve o primeiro impulso e o grande incitamento das grandes navegações, que tanto contribuíram para o progresso da civilização e conhecimento do mundo.

Para assinalar o seu nascimento deixo-vos um poema de Fernando Pessoa, intitulado “O Infante”, retirado do livro Mensagem, pela voz da Estudantina Universitária de Lisboa, extraordinária versão do original de Dulce Pontes.

 

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

                                                      Fernando Pessoa, Mensagem

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