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Archive for Novembro, 2010

Pachos na testa, terço na mão,

Uma botija, chá de limão,

Zaragatoas, vinho com mel,

Três aspirinas, creme na pele

Grito de medo, chamo a mulher.

Ai Lurdes que vou morrer.

Mede-me a febre, olha-me a goela,

Cala os miúdos, fecha a janela,

Não quero canja, nem a salada,

Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

Se tu sonhasses como me sinto,

Já vejo a morte nunca te minto,

Já vejo o inferno, chamas, diabos,

Anjos estranhos, cornos e rabos,

Vejo demónios nas suas danças

Tigres sem listras, bodes sem tranças

Choros de coruja, risos de grilo

Ai Lurdes, Lurdes fica comigo

Não é pingo de uma torneira,

Põe-me a Santinha à cabeceira,

Põe-me a colcha,

Fala ao prior,

Pousa o Jesus no cobertor.

Chama o Doutor, passa a chamada,

Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão-de-ló,

Não te levantes que fico só,

Aqui sozinho a apodrecer,

Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes

Este poema foi trazido para a aula de Língua Portuguesa por alunos de Nível Avançado.

Obrigada!

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A Naifa é um projecto musical português nascido em 2004, que conjuga as linguagens clássicas do fado com aquilo que podemos latamente chamar de pop. As suas canções são criadas a partir de poemas de autores portugueses como Adília Lopes, José Mário Silva e José Luís Peixoto, interpretados na voz de Maria Mendes.

Para conhecer mais:

Espero que gostem!

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Com fusão

Acontece (até) aos piores: o sonho de Afonso e Henrique era terem uma fundação. Acabaram numa fundição.

Tags: liquefacção, solidificação

Con fusión

Le acontece (hasta) a los peores: el sueño de Afonso y Henrique era tener una fundación. Acabaran en una fundición.

Etiquetas: licuefacción, solidificación

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