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Archive for Maio, 2012

Visita à FRAH

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Foi na passada sexta-feira que um grupo de estudantes de Português da Escola Oficial de Idiomas de Valladolid visitou a Fundação Rei Afonso Henriques.

A todos o nosso muito obrigada pela simpatia e interesse.

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 No passado dia 9 de Maio, na Cimeira Ibérica que reuniu os chefes dos Governos de Portugal e de Espanha no edifício da Alfândega do Porto, teve lugar a apresentação da primeira rota turística ibérica, a “Rota do Património Mundial Douro/Duero”. O Presidente da Fundação Rei Afonso Henriques (FRAH), José Silva Peneda e o Secretário-geral José Luis González Prada, apresentaram o projeto, introduzindo uma visita à exposição fotográfica alusiva aos onze sítios e bens classificados como património mundial que o integram. O destaque concedido durante a Cimeira a esta iniciativa ibérica, enquanto estratégia conjunta de promoção dos onze sítios ao longo da bacia do Douro que mereceram o selo de património mundial pela Unesco, traduz o reconhecimento do caráter inovador do projeto que concilia a preocupação da preservação do património com a sua integração num roteiro turístico partilhado pelo lado português e espanhol.
Lançada pela FRAH, em dezembro de 2010, com o cofinanciamento comunitário do “ON.2 – O Novo Norte” (Programa Operacional Regional do Norte), a “Rota do Património Mundial Douro/Duero” oferece uma nova organização do potencial turístico da Região do Norte de Portugal e de Castela e Leão, tirando partido do reconhecimento atribuído pela UNESCO. Uma oportunidade para o desenvolvimento económico das regiões em causa, tendo por base a aposta numa identidade comum em torno do Rio Douro. Concluído que está o plano de marketing da Rota enquanto produto turístico, será brevemente disponibilizada a plataforma online onde estará acessível a informação sobre os pontos de visita e principais atrações que compõem o roteiro do Douro/Duero Ibérico.
Integram este projeto transfronteiriço os seguintes onze sítios e bens classificados pela UNESCO como Património da Humanidade:

– Portugal –

  • Centro histórico do Porto (classificado em 1996)
  • Centro histórico de Guimarães (classificado em 2001)
  • Alto Douro Vinhateiro (classificado em 2001 )
  • Sítios de Arte Rupestre do Vale do Côa (classificado em 1998)

– Espanha –

  • Centro histórico de Ávila e suas igrejas extramuros (classificado em 1985)
  • Centro histórico de Salamanca (classificado em 1998)
  • Centro histórico de Segóvia e o seu Aqueduto Romano (classificados em 1985)
  • Catedral de Burgos (classificada em 1984)
  • Sítio de Arte Rupestre de Atapuerca (classificado em 2000)
  • Las Medulas (classificado em 1997)
  • Siega Verde (classificada em 2010) 

 
A criação da Rota do Património Mundial Douro / Duero vem complementar e dar sequência ao trabalho desenvolvido pela FRAH, em 2002, que foi determinante para o sucesso da candidatura do Alto Douro Vinhateiro a Património Mundial.

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Dia da Mãe

MÃEZINHA

A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai desde o berço até a puberdade.
28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos…
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)

Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que, por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.

Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que meu pai percorria,
tranquilamente, no maior sossego,
às horas em que entrava e saía do emprego.

Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.

António Gedeão
1906-1997

Obra Completa
António Gedeão
Relógio d’Água

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