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Archive for Abril, 2013

Dia do Trabalhador

'Operários' de Tarsila do Amaral

‘Operários’ de Tarsila do Amaral

RECUSA

Convosco, não, traidores!

Que poeta decente poderia
Acompanhar-vos um segundo apenas?
À quente romaria do futuro
Não vão homens obesos e cansados.
Vão rapazes alegres.
Moças bonitas,
Trovadores,
E também os eternos desgraçados,
Revoltados
E sonhadores.

Miguel Torga

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25-abril-cravo

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

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“Na madrugada do dia 25 de Abril, o Movimento das Forças Armadas Portuguesas, no decurso de uma acção conjunta, estabeleceu o controlo da situação política em todo o país, após ter ocupado diversos pontos estratégicos, nomeadamente os Ministérios, estações de radiodifusão e radiotelevisão, aeroportos e fronteiras.

O Movimento, que está cumprindo com êxito a mais importante das missões cívicas dos últimos anos da nossa história, proclama à Nação o seu propósito de a libertar dum regime que a oprime há longos anos e de levar a cabo, até à sua completa realização, um programa de salvação do país e de restituição das liberdades cívicas de que vem sendo privado.

Não apenas a televisão mas também a rádio e alguns jornais têm acompanhado, interessadamente e a par e passo a situação. Aqui temos o exemplo da edição especial do século saída para a rua às 4:30h da tarde. Entretanto, e das 4:30h da tarde até agora, muitas e importantes coisas se passaram. Por exemplo, ao fim da tarde de hoje, no Convento do Carmo em Lisboa, deu-se a rendição do governo do professor doutor Marcelo Caetano que entregou também o comando das Forças Armadas ao Movimento triunfante.

Para conhecimento de toda a população, informa-se que se encontram sanados os incidentes com a Polícia de Segurança Pública (PSP) e que a partir deste momento, ela aderiu totalmente ao Movimento.

Com a finalidade de manter a ordem e salvaguardar as vidas e os bens, pede-se a todos que acatem prontamente quaisquer indicações que lhes sejam transmitidas por elementos daquela corporação ou da polícia militar. Igualmente devem ser obedecidos os agentes das Brigadas de Trânsito.

Torna-se indispensável que a população continue a manifestar a sua compreensão e civismo e a melhor forma de o fazer no momento é manter-se calmamente nas suas residências.

Podemos entretanto informar que tem sido até agora impressionante o civismo do povo português, como impressionante o seu patriotismo manifestado no espontâneo apoio às forças militares através de delirantes aclamações que lhes têm incessantemente tributado.

A radiotelevisão portuguesa, correspondendo aos legítimos anseios do povo, mau grado as dificuldades que as forças de acção lhe quiseram impor, desde a primeira hora que aderiu, inteira e incondicionalmente, ao Movimento das Forças Armadas.

Continuaremos a emitir repetidos comunicados e convidamos os senhores telespectadores a acompanhar esta histórica emissão.

Viva Portugal!”

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rir

Esta noite choveu migas,

Rapazes tragam colheres!

Quem quiser ouvir mentiras

Chegue-se para o pé das mulheres.

 

Se o meu amor me deixar,

Eu faço uma das minhas:

Vou-me deitar a nadar

No caco das galinhas!

 

Minha mãe para me casar

Prometeu-me uma panela,

E depois de me casar

Partiu-me a cara com ela!

 

Tenho uma casa na serra

Fechada com sete trancas,

Tenho lá um burro dentro

Zurra melhor que tu cantas!

 

Cala-te aí franganote,

Frango de asa amarela,

Começas a cantar de mais,

Estás aqui, estás na panela!

 

Borba

O Grande Livro das Tradições Populares Portuguesas

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Os coentros são um cartão de embarque instantâneo para o Alentejo e para aquilo que a nossa gastronomia tem de melhor.

De facto, é difícil encontrar um prato típico que tenha o privilégio de ser bafejado pelos coentros e que não seja uma maravilha nutricional. Basta pensar nas açordas, amêijoas à Bulhão Pato, massadas e sopas de peixe. Apesar de termos este sentimento paternalista pelos coentros, partilhamos a sua guarda culinária com outros países mediterrânicos e asiáticos que também não dispensam o seu contributo. A conjugação do seu aroma com o facto de, em muitas culturas, ser associado a pratos de marisco rapidamente fez com que os coentros fossem um componente essencial nas “mezinhas” tradicionais de carácter afrodisíaco.

Apesar de possuir uma boa quantidade de carotenos, esta erva aromática não possui o mesmo potencial antioxidante de outros “temperos”, uma lacuna que compensa ao ser uma boa fonte de vitamina C, K, cálcio e potássio, mesmo tendo em conta que é ingerida em pequenas quantidades. Já o seu óleo possui uma tremenda capacidade bactericida e fungicida. São justamente estas substâncias voláteis que lhe conferem uma pungência aromática tremenda que, para além de trazer à nossa gastronomia uma palatabilidade livre de sal, tem igualmente inúmeras aplicações farmacêuticas e industriais. No que diz respeito à “saúde digestiva”, tem sido reportado um efeito benéfico dos coentros na diminuição da flatulência, e consequente desconforto abdominal, bem como na regularização do trânsito intestinal.

Os coentros apresentam todos estes benefícios quando são de facto ingeridos! Não são raros os exemplos em que esta fantástica erva vê as suas funções limitadas ao embelezamento do prato, não sendo este pequeno ponto verde o suficiente para salvar nutricionalmente o panorama dourado dos fritos que muitas vezes tenta, em vão, amenizar.

Há que preservar os coentros no seu maravilhoso contexto gastronómico pois, do ponto de vista da saúde, se é tradicional e leva coentros, de certeza que deve ser bom!

Pedro Carvalho, Assistente Convidado da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto
in Life&Style

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calendario-abril

Abril, águas mil.

Mau é por todo Abril, ver o céu a descobrir.

Abril e Maio, chaves de todo o ano.

A ti chova todo o ano, a mim em Abril e Maio.

Em Abril sai a bicha do covil.

Inverno de Março e seca de Abril, deixarás o lavrador a pedir.

Manhãs de Abril, boas de andar e doces de dormir.

Não há mês mais irritado, do que Abril zangado.

No princípio e no fim, Abril é ruim.

 

in O Grande Livro das Tradições Populares Portuguesas.

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