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frei

Era uma vez um rei que governava um país onde nunca acontecia nada de interessante. A única coisa de mais interesse era haver ali um homem que dizia não ter medo de nada. Esse homem chamava-se Frei João Sem Cuidados. O rei ouviu falar nesse homem e quis ver se isso era mesmo assim.

Então, certo dia, mandou chamar Frei João ao palácio e disse-lhe:

– Vou fazer-te três perguntas. Dou-te três dias para pensares nas respostas. Se daqui a três dias não souberes as respostas, mando-te matar! As perguntas são: Quanto pesa a lua? Quanta água tem o mar? Em que é que eu estou a pensar?

Frei João sem Cuidados saiu do palácio a pensar nas respostas que tinha de dar ao rei. E, claro, ia bastante preocupado.

No caminho para casa, cruzou-se com o moleiro. Diz-lhe o moleiro:

– Olá, Frei João. Vejo-o tão triste! O que lhe aconteceu?

O Frei João disse então ao moleiro a razão da sua preocupação:

– É que o rei manda-me matar se eu não lhe disser três coisas: quanto pesa a lua, quanta água tem o mar e no que é que ele está a pensar…Quando ouviu isto, o moleiro riu-se:

– Não tenha problemas, Frei João! Empreste-me a sua roupa e eu irei por si ao palácio dar as respostas ao rei.

Passados três dias, o moleiro, vestido de Frei João, foi ao palácio responder ao rei. O rei perguntou-lhe:

– Então, quanto pesa a lua?

– Quatro quartos do seu peso. – Respondeu o moleiro.

– E quanta água tem o mar?

– É preciso que Vossa Majestade mande tapar todos os rios, para eu poder responder a essa pergunta.

– Está bem, aceito a tua resposta. – disse o rei. – Mas agora se não souberes no que eu estou a pensar, mando-te matar!

– Vossa Majestade pensa que está a falar com Frei João e está a falar com o moleiro!

Ao dizer isto, o moleiro tira a roupa do Frei João e mostra ao rei que é o moleiro. O rei ficou de boca aberta com a esperteza do homem.

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bolo-rei

Dentro do enorme bolo-rei encomendado para a noite de Natal as coisas estavam muito longe de correr bem. Porquê? Porque a fava e o brinde tinham passado da fase de amuo à de corte de relações devido às discussões antigas que sempre houvera entre ambos.

A fava entendia que o seu papel era, há muito, desvalorizado, fazendo ela, as mais das vezes, o papel de má da fita. Sempre que alguém partia um dente a trincar uma fatia ou ficava incomodado por não lhe ter saído o brinde, mesmo que ele fosse insignificante, o comentário costumava ser:

— Maldita fava, que não está aqui a fazer nada, que só causa problemas e que, ainda por cima, nem serve para ser comida.

Por isso, a fava exigira já ao pasteleiro que a embelezasse, revestindo-a, por exemplo, de chocolate, o que sempre poderia torná-la mais apetecível e menos desprezada. Mas o pasteleiro recusara-se a fazê-lo, em nome de uma velha tradição de que se sentia guardião.

Por sua vez, o brinde, que se encontrava numa posição favorável, sendo sempre o mais procurado no bolo-rei, juntamente com algumas frutas cristalizadas, achava que aquilo que se gastava com a compra bem podia ser aplicado na melhoria da sua qualidade. Queria, por exemplo, deixar de ser feito em metal barato, do género que escurece e enferruja rapidamente, e passar a ser feito em prata, o que lhe daria o direito de não ser atirado para o fundo de uma caixa esquecida num sótão, ou mesmo para o caixote do lixo.

Em relação a esta exigência também o pasteleiro não se mostrava disposto a ceder, afirmando, por exemplo:

— Se eu fizesse o que me pedes, o brinde sairia muito mais caro do que o bolo-rei.

Eram estes problemas que se encontravam na origem das discussões e dos conflitos a que o pasteleiro se sentia incapaz de pôr termo. Por isso pediu a intervenção da Fada do Natal, com o objectivo de a levar a pôr um pouco de bom senso nas cabeças da fava e do brinde.

A Fada do Natal apareceu na cozinha sem aviso e encontrou a fava e o brinde muito amuados, cada um para seu canto, recusando-se a entrar naquele bolo-rei e, por sua vez, o pasteleiro desesperado a desabafar:

— Se eles se recusarem a colaborar, eu não poderei satisfazer a minha encomenda e, assim, uma família grande passará a noite de Natal sem o bolo-rei que tanto deseja.

Ao escutar esta queixa, a Fada do Natal tomou uma decisão inesperada: puxou da sua varinha mágica e transformou o brinde em fava e a fava em brinde, medida que deixou ambos completamente confusos e sem saberem o que haviam de dizer.

Aproveitando o silêncio da fava que agora era brinde e do brinde que agora era fava, o pasteleiro pôs os dois dentro do bolo-rei, ainda em fase de massa mole, e meteu-o dentro do forno. De lá de dentro saíam vozinhas dizendo coisas do género: “Mas que grande confusão. Ainda há pouco tinha forma de fava e agora olho para mim e vejo um brinde prateado” ou “ando eu a pedir para me fazerem em prata e agora não passo de uma rija e triste fava”.

O pasteleiro sentiu uma grande vontade de rir com a confusão que a sua amiga Fada do Natal acabara de criar para o ajudar e por achar inútil toda aquela discussão que prometia arrastar-se para além do que era razoável.

— Obrigado, Fada do Natal, pela preciosa ajuda que me deste. O que posso agora fazer para te compensar? — disse o pasteleiro.

— É simples. Faz chegar o bolo-rei ao seu destino, para que aqueles que o esperam não sejam prejudicados e, se tiveres outros bolos-reis que ninguém tenha comprado, fá-los chegar às mãos daqueles que não têm casa nem família — respondeu a Fada do Natal.

— Então a fava e o brinde?

— Ficarão assim até perceberem que, vistas do outro lado, as coisas são sempre diferentes do que imaginámos. Talvez assim se acalmem e deixem de te causar problemas inúteis.

José Jorge Letria
A Árvore das Histórias de Natal
Porto, Ambar, 2006

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Esta iniciativa do DN (Diário de Notícias), que teve início no dia 17 de Outubro, “dá aos leitores a possibilidade de descarregarem para os seus PC, tablet ou smartphone uma grande variedade de contos digitais de grandes autores portugueses.

A Biblioteca Digital DN está disponível para todos os leitores que façam o registo no site do Diário de Notícias e é totalmente gratuita. Assim, até ao final de Janeiro do próximo ano, os leitores do Diário de Notícias poderão desfrutar de contos de Nuno Markl, Luísa Costa Gomes ou Mário Zambujal, entre muitos outros, num total de 31 contos digitais.

Às quartas-feiras e aos sábados um novo conto é disponibilizado para ‘download’, ficando a partir daí disponível para todos os leitores registados até ao fim da campanha.

Pode ainda conferir o calendário completo de todos os contos oferecidos pelo DN, para que possa começar a sua própria Biblioteca Digital.”

Espero que gostem.

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A FUNDAÇÃO REI AFONSO HENRIQUES CONVIDA-O  A ESTAR PARTICIPAR NA APRESENTAÇÃO DO LIVRO INFANTIL BILINGUE

“OS MENINOS DO VENTO” DE HUGO GIRÃO

 

 

Quinta-feira, 15 de Março à 19:15h na Biblioteca da Fundação Rei Afonso Henriques

O evento contará com a presença do autor, Hugo Girão. Este livro é uma obra bilingue editada em Espanhol e Português que pretende aproximar os mais pequenos ao conhecimento desta língua bem como os leitores e amantes do português.

 

Estará presente também a Contadora de contos zamorana Charo Jaular que contribuirá com a sua longa trajectória como profissional nas actividades lúdicas e infantis, bem como a sua visão sobre o mundo do conto.

 

Também estarão presentes:

 

– Rui Marques, Director da Revendedora Tras-Tras de Serviços Raianos (Empresa Revendedora do mundo editorial português em Espanha).

– Victor Raquel e Carla Cardoso, da  Editorial Fronteira do Caos.

 Esperamos por vocês!

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Deixo-vos as datas para a apresentação dos contos nas aulas de Língua Portuguesa.

  • António – Agustina Bessa-Luís, Os Amantes Aprovados – 8 de Fevereiro
  • Choni – 15 de Fevereiro
  • David – Miguel Torga, O Alma Grande– 22 de Fevereiro
  • Esteban – José Régio, Os Três Reinos – 29 de Fevereiro 
  • José – Eça de Queirós, O Tesouro – 7 de Março
  • Manoli – Manuel Teixeira Gomes, Margareta – 14 de Março
  • María – Agustina Bessa-Luís, Os Amantes Aprovados – 21 de Março
  • Marta – João Araújo Correia, As velhas são o diabo– 28 de Março
  • Miguel – 11 de Abril
  • Mónica – José Régio, O Caminho – 18 de Abril
  • Rubén – José Cardoso Pires, Os caminheiros – 25 de Abril
  • Rubén – Raul Brandão, O Mistério da Árvore – 2 de Maio
  • Susana – Mário Sá-Carneiro, O Homem dos Sonhos – 9 de Maio
  • Concha – Graça Pina de Morais, O Pobre de Santiago – 9 de Fevereiro
  • Elena – Mário Henrique Leiria – Regressos – 16 de Fevereiro
  • Estrela – Urbano Tavares Rodrigues, A Meia Hora de Sol – 23 de Fevereiro
  • Eva – Sophia de Mello Breyner, A Praia – 1 de Março 
  • Eva – Vergílio Ferreira, Uma Esplanada Sobre o Mar – 8 de Março
  • Gonçalo – Miguel Torga, O Pastor Gabriel – 15 de Março
  • João – José Régio, O Caminho – 22 de Março
  • Lourenço – João Araújo Correia, As velhas são o diabo– 29 de Março
  • Luís – Eça de Queirós, Singularidades de Uma Rapariga Loira – 12 de Abril
  • Sara – Eça de Queirós, O Defunto – 19 de Abril
  • Sónia – Miguel Torga, O Milagre – 26 de Abril

Qualquer dúvida ou alteração, comuniquem-me.

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Tal como abordado nas aulas de Língua Portuguesa nível Intermédio, deixo-vos as directrizes para preparação do conto seleccionado. Em momento oportuno serão divulgadas as datas para apresentação dos mesmos na sala de aula.

Na apresentação do conto na sala de aula, terão que estar contempladas, entre outras:

  • uma breve nota biobibliográfica do autor
  • um breve resumo do conto
  • um levantamento das expressões idiomáticas e sua explicação
  • um levantamento do vocabulário desconhecido
  • listagem de falsos amigos
  • a explicação do contexto histórico (se for o caso)

Nunca será demais lembrar que a Biblioteca Virtual Camões tem livros à vossa disposição para descarregar de uma forma simples e gratuita.

Um bom trabalho a todos!

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Deixo-vos as datas para a apresentação dos contos nas aulas de Língua Portuguesa.

  • Ingrid – Maria Ondina Braga, A lição de inglês – 4 de Novembro
  • Gabriel – Fernando Namora, O rapaz do tambor – 28 de Outubro
  • José Rojano – Vergílio Alberto Vieira , O dia perfeito – 3 de Fevereiro
  • Mar de Lera – Sophia de Melo Breyner, O Homem – 23 de Dezembro 
  • Virginia – Urbano T. Rodrigues, A meia hora de sol – 13 de Janeiro
  • Pablo Prieto – José Cardoso Pires, Os caminheiros – 18 de Novembro
  • Choni – Miguel Torga, O Alma-Grande – 2 de Dezembro
  • Puri Palacios – João Araújo Correia, As velhas são o diabo – 20 de Janeiro
  • Inês Gago – Mário Braga, Balada – 10 de Fevereiro
  • Rosana – Agustina Bessa-Luís, Filosofia Verde – 27 de Janeiro
  • Manuel Perez – Vitorino Nemésio, Mau Agoiro – 11 de Novembro
  • Concha Jambrina – José Gomes Ferreira, A Sombra – 16 de Dezembro

Qualquer dúvida ou alteração, comuniquem-me.

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