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Archive for the ‘Expressões Idiomáticas’ Category

bife

No português europeu, num registo informal, de carácter popular e tom vulgar, «estar feito ao bife» é o mesmo que «estar em apuros, em dificuldades», segundo Afonso Praça, no Novo Dicionário de Calão, Lisboa, Casa das Letras, 2005, que nada adianta sobre a origem da expressão. Orlando Neves, no seu Dicionário de Expressões Correntes (Lisboa, Editorial Notícias, 2000), reitera na prática («não ter solução; estar arrumado, lixado») a definição de Praça, mas também não avança nenhuma hipótese sobre a génese desta expressão. O Dicionário Prático de Locuções e Expressões Correntes define-a da mesma maneira, sem comentar as circunstâncias em que terá sido criada.

Em síntese, nada pude apurar sobre as origens de «estar feito ao bife». É sabido que «estar feito» é uma locução com sentido próprio: «ter conquistado uma mulher; estar numa situação irremediável» (Neves, op. cit.). Mas, mesmo assinalando o facto de bife poder significar «fatia de carne bovina» e, em sentido pejorativo, «indivíduo de nacionalidade inglesa» (Dicionário Houaiss), fica pouco claro o modo como o sentido literal da expressão em apreço permite desvelar a sua etimologia: terá querido dizer «feito num bife», isto é, morto? Ou terá que ver com a situação histórica de geral submissão de Portugal aos ditames do Império Britânico durante o século XIX? Deixo estas perguntas à laia de hipóteses.

Carlos Rocha – 07/11/2012

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

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“…que se diz de alguém pessimista e conservador, sempre pronto a contrariar as ideias ou os projectos mais avançados. Nos Lusíadas, a figura do Velho do Restelo surge no canto IV. No poema épico camoniano, o velho assiste, no Restelo, à partida da frota do Gama para a Índia, argumentando contra o carácter audaz da expedição e aconselhando os portugueses a investirem mais no progresso interno e menos em aventuras marinheiras. Há quem pense que o Velho do Restelo era um homem sensato…”

in Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

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“Esta frase é curiosa, já que designa alguém que chora de forma fingida, aparentando falso sofrimento.” Parece ser que a sua origem é romana já “que cabe ao poeta Plínio (cá surge a influência clássica) a divulgação da lenda segundo a qual os crocodilos do Nilo tinham o costume de chorar para assim atrair eventuais transeuntes, que depois devoravam. Ou seja, choravam para enganar os incautos, ou os parvos (aqui na conotação moderna, claro). Há outras explicações para esta asserção, garantindo alguns que a frase corresponde a uma falácia, já que os crocodilos não choram, enquanto outros asseguram que estes animais lacrimejam quando comem devido às mandíbulas comprimirem os sacos lacrimais.”

in Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

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“… significa algo que é dado a alguém que não fez nenhum esforço para receber essa benesse. Isto remete-nos para o ancestral hábito de os nobres darem ao Papa grandes oferendas, “recebendo” do Sumo Pontífice a mão para ser beijada. Mas também nas doações senhoriais (nobres ou eclesiásticas) não era raro quem recebia o donatário beijar as mãos do seu suserano.”

in Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

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“…que se diz quando alguém se acautela contra um perigo iminente. Cortar as barbas, ou ser obrigado a cortá-las, era tido como humilhante para certos escalões sociais, sobretudo para a nobreza. Por isso, muitos homens eram muito cuidadosos na sua preservação. O próprio D. João de Castro, quando vice-rei da Índia, quando teve de reconstruir, em 1546, a fortaleza de Diu, empenhou as barbas como garantia de um empréstimo de vinte mil pardaus para tal tarefa. A frase completa é: “Quando vires as barbas do teu vizinho a arder, põe as barbas de molho.” Popularmente apenas ficou a segunda parte. A vaidade cedia à humildade. Curiosamente, também na Rússia, China e Japão, as barbas e o cabelo eram considerados como marcas nobilitantes; de tal forma que quando alguns monarcas quiseram reformar os seus países, ordenaram o corte de barbas e cabelo aos súbditos, como marca de um forçado progresso. Esse foi o caso do imperador Pedro, o Grande, na Rússia, que, por volta de 1700, ordenou o corte das longas barbas da nobreza rural russa. Quem não quisesse, teria de pagar pesados impostos.”

in Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

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“…sinónimo de “não perceber nada”. Tito Lívio era natural de Pádua, que na época se chamava Patavium. Ora, a sua obra, hoje estudada em todo o mundo e considerada como um exemplo de literatura latina, foi no seu tempo acusada de incluir injustificadamente várias locuções de carácter regional. Esta vertente inovadora não foi bem entendida na época. A linguagem popular era considerada grosseira, pelo que os meios eruditos designaram esses termos por “patavinadas” (coisas de Patavium)… Mas, para além desta, Orlando Neves dá uma outra explicação, também plausível. Na Idade Média, a universidade de Pádua tinha um reputado curso de Direito. A linguagem jurídica dessa escola era tida como essencial aos futuros juristas. “Não perceber patavina” era o mesmo que não dominar a terminologia judicial. Uma outra justificação remete também para a Idade Média portuguesa. Nessa época, que adiante trataremos, alguns frades provenientes de Pádua – os patavinos – visitariam o nosso país com frequência. Quando falavam na rua, não eram, naturalmente, entendidos pelo povo, que assim não percebia “patavina”…”

 

Sérgio Luís de Carvalho, Nas Bocas do Mundo

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Tirar o cavalinho da chuva “designa, genericamente, uma exprectativa frustrada. Se bem que com reservas, aqui deixamos uma explicação. Os antigos acavaleiros e mensageiros andavam a cavalo, como já se viu. Quando paravam num albergue por pouco tempo, deixavam o cavalo no exterior, nem que fosse à chuva. Mas se se tinham de demorar por motivos imprevistos, teriam de retirar o cavalo das intempériese recolhê-lo no estábulo.”

in Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

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